18/09/2018

Livro ressalta drama de estudantes desaparecidos no México em 2014

Estudantes desaparecidos há quatro anos no México são os principais personagens do livro escrito pela jornalista Luara Wandelli Loth, filha dos jornalistas Moacir Loth e Raquel Wandelli, ambos de Florianópolis. Moacir é jornalista e trabalhador técnico-administrativo em Educação aposentado da UFSC. Filiado ao SINTUFSC, ele traz as informações sobre o livro reportagem escrito pela filha, com lançamento previsto para o final do mês na Capital.
O lançamento oficial do livro Sepultura de Palavras para os desaparecidos, de autoria da jornalista Luara Wandelli Loth, no dia 27 de setembro, a partir das 19 horas, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, marca os quatro anos do sequestro e desaparecimento dos 43 alunos da Escola Normal Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, no estado mexicano de Guerrero. Publicado pela Editora Insular, conta as histórias dos buscadores do México, e narra o drama cotidiano das famílias dos desaparecidos na procura de fossas clandestinas.
Os corpos ou restos mortais dos 43 jamais foram encontrados. A tragédia, que continua mobilizando famílias, e movimentos sociais, provocou o surgimento de grupos de buscadores de valas e fossas clandestinas por todo o país. A divulgação, na opinião da autora, pode ser considerada uma “arma contra a banalização dos desaparecimentos, já que a violência manteve curva crescente, mesmo após o escândalo de Ayotzinapa.
Conforme revela o livro, os grupos de buscadores, embora politicamente divididos, desafiam um Estado dominado pelo narcotráfico, onde polícia, políticos e organizações criminosas muitas vezes andam de mãos dadas ou atadas.
A autora, na época estudante de Jornalismo da UFSC e intercambista da Universidade Autônoma do Estado do México (UAEMéx), testemunhou o desaparecimento dos estudantes. A violência indignou e chamou a atenção do mundo. De volta ao Brasil, Luara não teve dúvidas: escolheu a tragédia dos desaparecidos como tema para desenvolver o seu trabalhode conclusão de curso.
Retornando ao México em 2015, onde permaneceu até março de 2016, a jovem exerceu perigosamente o jornalismo investigativo, acompanhando pessoalmente o trabalho do grupo de buscadores. São histórias, fotos e depoimentos que emocionam até os leitores mais insensíveis.
A grande reportagem, transformada em livro pela Editora Insular, denuncia e reabre uma ferida que nunca vai cicatrizar e para qual a humanidade jamais poderá fechar os sentidos. Até porque, como avisa a autora, o mundo não conseguirá dormir um “sono tranquilo” enquanto não devolver os corpos dos normalistas e demais desaparecidos. Essa é, aliás, a pena que o livro Sepultura de palavras sentencia para a humanidade!
O trabalho que resultou em livro foi orientado pelo professor Carlos Locatelli, do curso de Jornalismo da UFSC e é enriquecido pelas apresentações do historiador Waldir Rampinelli e da professora de Jornalismo Daisi Vogel.
Rampinelli, que integra a direção dos Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), sublinha que “o livro é uma leitura obrigatória para entender esta região marcada por grandes conflitos, desde que por aqui meteram os pés os conquistadores europeus”. A obra é resultado de um “trabalho duro, penoso, doloroso”, talvez mais difícil, como afirmou um jornalista estrangeiro, do que cobrir as guerras do Iraque e da Síria”, acrescentou o historiador.
Já Daisi Vogel, doutora em Literatura, ressalta que Luara fez perguntas, fez fotografias, estudou, enfim, realizou esta extraordinária reportagem, onde “imagens e palavras se movem caudalosas, e que nos arrastam como águas de uma enchente”.
Acompanhando a saga dos buscadores, este livro-reportagem, na opinião da jornalista, encontra o seu próprio sentido: “mostrar o rastro de destruição desses desaparecimentos para a população inteira do País, especialmente para os habitantes de Iguala, cuja população sobrevive ao horror do sequestro dos 43 estudantes de Ayotzinapa”. Contextualizando a tragédia, Luara reconstitui, por exemplo, a história das Escolas Normais Rurais, que são sinônimo de resistência política.

Serviço:
Lançamento de Sepultura de Palavras para os desaparecidos, de Luara Wandelli Loth, Editora Insular.

Quando: Dia 27 de setembro de 2018, das 19 às 22 horas.
Local: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, número 2161 Centro de Florianópolis.
Contatos com a Fundação: fone(48) 3224-8846, email: fundacaoculturalbadescqmail.com.
E-mail e telefones da autora: luaraw@gmail.com (91) 98769-0497 e (48) 3234-7366

Livro Luara

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