Wilson da Silva

DSCN5170Um dia o filho mais novo foi atrás do pai na Hidráulica da Universidade e perguntou pelo Wilson… A resposta deixou o garoto confuso: “Olha, aqui não tem nenhum Wilson, e só trabalham o Dauri, o Arnoldinho, o Helinho, o Didi, o Chuchu, o Ademir, o Dener, o Golias e o Neguinho”. O garoto estranhou, mas depois se deu conta que o pai era o último da relação. O Neguinho é Wilson da Silva, 63 anos, revelando que pouquíssima gente deixa de chamá-lo pelo apelido. Racismo? Discriminação pela cor da pele?

Com um sorriso no rosto, ele encara o apelido com bom humor. “Nesse tempo todo, muita gente fala comigo e não sabe meu nome, só diz e aí Neguinho. Isso nunca me incomodou, pois ali chamam quase todos por apelido. Tem o Didi, o Chuchu e o Golias”, observa. Da relação, cinco já morreram e na ativa estão ele e o chefe, Dauri, que como Neguinho também está quase se aposentando. Segundo ele, a maioria dos técnicos do setor hoje é de terceirizados.

Neguinho, ou Wilson da Silva, como o leitor preferir, tem 63 anos, é encanador de profissão e ocupa o cargo de bombeiro hidráulico lotado na Prefeitura Universitária da UFSC pouco tempo depois de ingressar na Universidade, há 28 anos, quando iniciou no ETUSC – Escritório Técnico Administrativo da Universidade, que à época tinha atribuições de projeto, obras e manutenção.

Em março ele retorna das férias, mas não volta ao serviço, pois passa a integrar o quadro de servidores aposentados da Universidade. “Depois que enfartei, há cinco anos, por recomendação médica não consigo mais trabalhar, apenas cumpro o horário e cuido do setor quando a chefia pega férias. Eu me sinto bem vindo pra cá. Só não posso me incomodar e nem pegar peso”, revela.

Filho de Carmem Vieira da Silva e Manoel Januário da Silva, ele nasceu no dia 17 de abril de 1951 em Florianópolis, mas ainda bebê foi morar com a família no Rio de Janeiro, pois o pai era marinheiro e vivia sendo transferido. Só voltou para a terra natal em 1973. Depois de entrar na Marinha e largar a farda branca ele passou a viver do ofício de encanador na construção civil de Florianópolis, onde ganhou fama como profissional de mão cheia. Trabalhou na obra do prédio do Ceisa Center e na construção do Hospital Regional de São José, o mesmo em que foi internado cinco anos atrás ao sofrer o infarto enquanto estava em casa.

Há 27 anos ele mora na Rua Antônio Mariano de Souza, no bairro Ipiranga, em São José. “Quando comprei a casa, em 1987, o bairro ali ainda era Barreiros”, diz ele. Na época, embora até hoje tenha que pegar duas conduções, Neguinho ia de ônibus almoçar em casa e dava tempo de voltar ao trabalho no campus, pois o trânsito ainda era pacato na Capital catarinense. Hoje para chegar às oito da manhã no serviço ele tem que acordar às cinco da matina.

Casado há 37 anos com Marlene Fernandes da Silva, trabalhadora do IPQ, a antiga Colônia Santana, eles têm três filhos. Sheila Cristina (40) Charles Washington (38) e o caçula Wilson Júnior (30), aquele que foi atrás do pai no campus da Universidade. Neguinho conta que escolheu os nomes dos dois filhos mais velhos em função do seu gosto musical. O nome da mais velha foi uma homenagem à música de Renato e seus Blue Caps, revela ele, cantarolando “Sha lalala lalá… Ou… ou ou Sheila. Sheila, sei lá meu meu bem… Talvez não seja tarde… Pense bem, ó Sheila. I Love You…”. Já com o filho do meio ele prestou um tributo a Jorge Benjor, que homenageou Washington Olivetto, dono da W/Brasil com a música chame o síndico.

Eu sou a UFSC

claudionor

Claudionor dos Santos

“O eu sou a UFSC” deste mês faz uma homenagem a um dos funcionários mais antigos, ainda na ativa, da UFSC. Claudionor dos Santos começou a tr + Mais

Vida nova na UFSC

vanessa

Vanessa Livramento

Vanessa Livramento é natural de Florianópolis e moradora de São José. Apesar de ser formada em administração pela UFSC, entrou no concurso para + Mais
Sintufsc

sintufsc © todos os direitos reservados

Siga-nos:
Agência WEBi