Licino Rodolfo Mendes

licinioLicino Rodolfo Mendes nasceu em Florianópolis no dia 18 de junho de 1941 e mora com a esposa Rose no condomínio residencial Villa Açoriana, no bairro Areias, no município de São José. Técnico em artes gráficas, Seu Licino trabalhou por 30 anos na UFSC, onde entrou na década de 1960 para trabalhar na Imprensa Universitária e depois na Biblioteca Universitária, onde ficou até se aposentar, no início da década de 90.
Aos 74 anos, ele gosta de pescar e a vida de aposentado permite que reserve uma tarde no meio de semana para praticar seu hobby favorito. Com um tipo físico miúdo, tem 1,62 m de altura e nunca passou de 55 quilos, Seu Licino goza de ótima saúde e ainda joga nas quartas-feiras na lateral esquerda dos times de futebol no campo da sede do sindicato. Conta com um preparo físico invejável, que permite a ele pescar com uma tarrafa de quatro quilos da Gamboa até a Guarda do Embaú nas noites quentes do verão.
“Não ligo pro peixe muito não, mas pescar, uh… é muito gostoso”, diz, contando que procura manter uma dieta saudável, sem comer frituras e optando por carnes magras na alimentação para manter a saúde em dia. Seu prato preferido é bem brasileiro: um bife com arroz ou macarrão e feijão, acompanhado de uma salada de tomate e cebola. Peixe ele inclui no cardápio uma vez por semana.
Seu Licino aposentou-se na UFSC em 2 de agosto de 1990, como ele lembra de cabeça. Trabalhou na Universidade desde 1965, trazido pelo reitor David Ferreira Lima e o professor Carlos Alberto Silveira Lenzi. Trabalhava pela manhã no Colégio Catarinense e à tarde na UFSC. O amor que ele dedica ao ofício que exerceu quase toda a vida é evidente. Na foto, Seu Licino está com um exemplar de um dicionário escolar da Língua Portuguesa que ele encontrou desmilinguido no lixo e recuperou, com direito a letras gravadas em ouro na capa dura vermelha que providenciou para a edição.
Quem convive e conhece o seu Licino não sabe da infância fome e necessidade que ele passou na pobreza. Dona Maria Barcelos, a mãe de seu Licino se separou do marido quando ele tinha sete anos e os dois passaram a viver sós numa casa simples no Canto da Lagoa. Filho único, ele vinha a pé da Lagoa até onde hoje é o Córrego Grande alimentado apenas com uma xícara de barro de café com pirão de farinha. Ali ele pegava o ônibus até o centro da Capital. O aposentado conta que fazia carvão nas matas do morro da Lagoa para juntar uns trocados e ajudar na economia doméstica.
Gosto de contar a minha história de vida porque muita gente reclama da vida e está em berço de ouro. Lutei tanto na vida e não se deve dar o peixe e sim ensinar a pescar. “Sou coração mole, mas hoje eu não trabalho mais mas ganhei muito dinheiro com este trabalho de encadernação”, conta. Hoje em dia a modernização da atividade e as novas tecnologias que surgiram reduziu o mercado dos trabalhadores artesanais como Seu Licino. No entanto, ele se orgulha da qualidade de seu serviço, em que as lombadas dos livros eram costuradas à mão e garantiam vida longa ao material encadernado.
Dos 12 aos 20 anos ele trabalhou no Colégio Catarinense como serviços gerais, fazendo a limpeza da escola que formava a elite da Capital. Nas horas vagas ele aprendia a trabalhar com encadernação com o mestre Oberdan Vilain, pai do ex-jogador de futebol que foi zagueiro de grandes clubes brasileiros. Seu Licino conta que o mestre aprendeu o ofício na escola técnica, passou muito tempo na Imprensa Oficial e depois foi trabalhar na biblioteca do Catarinense, onde os jesuítas montaram uma oficina de encadernação em 1955.
Hoje ele tem material encadernado em universidades de várias partes do mundo, mas um faz questão de contar está na biblioteca do Vaticano. Tudo que saiu na imprensa catarinense sobre a visita que o papa João Paulo II fez a Florianópolis em outubro de 1991 foi juntado e encapado por Seu Licino e hoje está na biblioteca da Santa Sé.

Eu sou a UFSC

Jpeg

Atayde Ratti

Atayde Antônio Ratti, este trabalhador da UFSC de 58 anos é formado em Agronomia na própria universidade em 1987, de onde saiu para seu primeiro em + Mais

Vida nova na UFSC

thayse

Thayse Moreira Monguilhott

Thayse Moreira Monguilhott, 27 anos de idade, é natural de Florianópolis. Nasceu e cresceu no bairro Balneário, na região continental. “Tive uma + Mais
Sintufsc

sintufsc © todos os direitos reservados

Siga-nos:
Agência WEBi