Otávio Pereira

otavioOtávio Pereira, 49 anos, é natural de Florianópolis, nascido e criado no Morro da Descoberta.Teve uma infância de muita dificuldade. Irmão mais novo de seis filhos, ele cresceu sem pai e praticamente sem mãe. “Ela saía para trabalhar 6 horas da manhã e voltava às nove da noite. Era praticamente um trabalho escravo. Trabalhava muito e ganhava pouco”, conta.
Estudou na escola básica Lúcia do Livramento Mayvorne, no alto do morro. “Não tinha esse negócio de cuidar dos irmãos pois cada um tinha que se virar. Com oito anos de idade eu já estava trabalhando. Descia o morro, passando nas casas recolhendo jornal velho para vender nas peixarias. De tarde ia para a escola”.
O trabalhador conta que havia um projeto na escola chamado Centro de Bem –Estar do Menor. Pela manhã frequentava aulas de reforço. Trabalhou em um estacionamento no centro e também como oficeboy, já nos idos do ano de 1976. Depois foi porteiro de condomínio. “Quando colocaram os porteiros eletrônicos demitiram os solteiros e eu fui pra rua”, explica.
Foi nesse período que Otávio começou a trabalhar na universidade, em 1982. “Uma moradora do condomínio que era diretora do laboratório de arqueologia me chamou para trabalhar na UFSC. Comecei com limpeza e depois com classificação de material. Mais tarde fiz salvamento arqueológico em Itá, sendo contratado pela Fapeu “.
No ano de 1985 fez o concurso e foi chamado em 87. Locado no CFH, Otávio entrou como auxiliar de serviços gerais mas foi logo aprendendo a fazer outras coisas. “Diante da necessidade da universidade fui trabalhar com o mimeógrafo, rodando provas, materiais diversos”.
O trabalhador conta que naquela época o trabalho na universidade era bem difícil, diferente de hoje com o advento da informática. “Por isso temos que valorizar os aposentados. Eles foram os construtores da universidade que chegou onde está porque houve um corpo de servidores eficiente. As pessoas eram muito unidas, o clima era harmonioso. Tanto que chamávamos de família CFH”, explica.
Otávio lembra de uma história marcante na época em que trabalhou no laboratório. “Ele era fora do CFH e quando eu chegava no centro as pessoas me valorizavam muito, diziam que eu tinha que receber uma medalha pois o laboratório era um lugar muito difícil, muito cobrado e também pela tratamento que eu dava para as pessoas, sempre pronto para auxiliar. Acho que contribuí muito para o CFH. Ficava mais no centro do que na minha casa”. Ele é o atual presidente do grêmio dos servidores do CFH.
Durante todo esse tempo Otávio morou no morro da Nova Descoberta. Ele lembra da solidariedade da comunidade quando, em 1973, perdeu a casa. “Uma pedra rolou e derrubou mais da metade da casa. Ficou somente o quarto onde eu e meus irmãos dormíamos. Os vizinhos ajudaram muito. Ficamos morando em um porão até a gente recompor a nossa vida. O povo do bairro era uma família”.
Sobre o Sintufsc, Otávio explica que quando entrou na universidade uma das primeiras coisas que fez foi associar-se à Asufsc (associação dos servidores da UFSC). “É importante esse vínculo com o sindicato. Não tinha a intenção de participar de diretoria mas, em uma assembleia, fui convidado pelo companheiro Assis para integrar uma chapa para o sindicato. Entrei e fui fazer a parte social, as comemorações. Antigamente não existia isso. Em 1987 ele me convidou e estávamos planejando mas, infelizmente, ele faleceu. Como tínhamos conversado muito sobre isso me sentia na obrigação de fazer aquilo que ele tinha me proposto. Com dificuldade consegui fazer”.
Para o futuro, Otávio tem planos de continuar na universidade até a aposentadoria. “Gostaria de me sentir como um aposentado valorizado, com o direito de votar e de participar das atividades da universidade e que ela me olhe com respeito e carinho por todos esses anos em que me dediquei”.

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