04/06/2020

A UFSC PRESENTE

A Universidade Federal de Santa Catarina e seus trabalhadores, técnico-administrativos em educação e docentes, vêm sendo alvo de ataques do empresariado catarinense e de sua mídia em relação à suspensão das atividades em meio à pandemia de COVID-19.

As principais empresas comunicacionais locais não têm medido esforços para deslegitimar os trabalhadores insinuando que estes estão “ganhando sem trabalhar”. Procuram mobilizar em seu público a figura ideológica do servidor público ineficiente, privilegiado e “vagabundo”. Mas, seu artífice não tem se escondido: trata-se do empresariado catarinense articulado no aparelho “Floripa Sustentável”.

Este organismo reúne associações empresariais como: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina; Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina; Associação Comercial e Industrial de Florianópolis; Câmara dos Dirigentes Lojistas de Florianópolis; Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis; Associação Catarinense de Tecnologia; a OSCIP Floripa Amanhã, que congrega um conjunto de empresas e empresários da cidade; dentre outros.

O “Floripa Sustentável” tem pressionado a UFSC e a UDESC a retomar suas atividades de ensino em formato on-line, e especialmente em relação à UFSC, tem atacado a instituição e seus trabalhadores. A mídia empresarial catarinense faz coro e usa seus comunicadores de forma mesquinha e reacionária.

O episódio mais recente foi a publicação de uma nota deste organismo no jornal notícias do dia, intitulada: “A ausência da UFSC quando mais se precisa dela”. A nota é arroubo de ideologia e ataque à Universidade.

O organismo se arroga a falar em nome da comunidade catarinense. Esta, segundo eles, financia a UFSC com o pagamento de impostos. E estes impostos estariam servindo para o pagamento de “salários pagos rigorosamente em dia”, enquanto a universidade estaria ausente – uma vez que não adotou o ensino à distância. E não o fez, mesmo com a “generosa” oferta dos empresários de arrecadar equipamentos para aqueles que não tem acesso.

Bom é preciso combater seus ataques, um a um:

1 – Não é verdade que a universidade esteja ausente. Ao contrário, a UFSC está presente no combate ao COVID-19!

A pandemia, que já contagiou 500.000, brasileiros levou ao falecimento de mais de 30.000 pessoas. Pessoas com histórias, filhos, amigos, sonhos. Lutar para que a tragédia não se torne ainda maior, que o mínimo de pessoas possível se contagiem e que, aquelas que contraíram o vírus tenham um tratamento digno e possam sobreviver, não é pouco. E a isto, estão dedicados centenas de trabalhadores da UFSC!

São técnicos, servidores públicos estatutários, empregados públicos, terceirizados, residentes, que estão dia a dia no Hospital Universitário (HU), cuidando e tratando dos trabalhadores catarinenses e da sociedade catarinense, visto que o HU atende todo estado de Santa Catarina. São professores, estudantes de graduação e pós, que colocaram seus esforços de pesquisa, seu trabalho nos laboratórios à disposição para trabalhar naquilo que é necessário para que possamos controlar o contágio.

Este trabalho não é brincadeira. E para que ele seja frutífero e possamos controlar efetivamente o contágio, depende do isolamento social tão atacado, vejam só, pelos empresários. Ao contrário deles, os trabalhadores da UFSC continuarão dia a dia contribuindo para cuidar da sociedade catarinense.

2 – Eles não falam em nome dos catarinenses!

Os trabalhadores e a juventude catarinense têm tomado às ruas nos últimos anos na luta contra a retirada de direitos e contra o autoritarismo! São os trabalhadores que constroem dia a dia com seu trabalho a comunidade catarinense: no campo, na indústria, no comércio, nos serviços, trabalhadores com ou sem carteira, servidores que são o chão das políticas sociais (trabalhadores da saúde, da educação, da assistência social). Estes que compõem organismos como o “Floripa Sustentável” são aqueles que vivem do nosso trabalho. E não falam em nosso nome!

3 – Eles querem nos dividir!

A operação que tentam realizar com estes ataques é de nos dividir em relação ao conjunto dos trabalhadores. A mensagem que querem passar é esta: Enquanto, uma grande parte dos trabalhadores catarinenses e de todo o Brasil está em um situação calamitosa frente a pandemia – com demissões massivas, suspensão de contratos e diminuição dos salários (ou seja, lutando duramente para sustentar a si e a suas famílias), servidores privilegiados estão ganhando sem trabalhar.

Ou seja, querem que o trabalhador olhe pro lado e veja no servidor seu inimigo. Com isso escondem quem realmente ganha com a miséria dos trabalhadores: os próprios empresários. São eles que estão demitindo, diminuindo os salários, tirando direitos, forçando um conjunto de trabalhadores e suas famílias ao risco do contágio.

Eles atacam os servidores, logo depois de atacar a previdência dos trabalhadores, para liberar mais recursos públicos para si próprios. Eles querem mais dinheiro público para se financiarem e não para que os trabalhadores tenham uma vida digna.

4 – O ônus tem que ser deles!

Eles querem que nós trabalhadores tenhamos raiva uns dos outros, para que sigam tranquilos nos explorando e se apropriando ardilosamente dos benefícios promovidos pelo estado em detrimento aos direitos da classe trabalhadora. Mas, nós temos que dizer o ônus tem que ser deles!

O combate ao corona vírus, tendo em vista que não temos ainda o desenvolvimento de tratamentos eficazes ou de vacinas, depende do isolamento social para que o nível de contágio não sobrecarregue as unidades de saúde. Ou seja, depende que apenas os trabalhadores que são indispensáveis para que o isolamento ocorra, sigam trabalhando: trabalhadores da saúde, da produção de alimentos, da distribuição (como supermercados), da manutenção da energia elétrica, da água, etc.

Tendo em vista isso, esses trabalhadores deveriam ter equipamentos de proteção adequados e ganhar um bônus por arriscarem a si e a seus familiares. E todos os demais deveriam ter condições de ficar em casa, com remuneração digna, para manter o isolamento social e preservar a vida.

Só que isso depende de onerar os empresários. Para que isso ocorra é necessário alterar a estrutura tributária brasileira! Afinal, hoje somos nós trabalhadores que pagamos uma alta carga de impostos, enquanto a maioria dos empresários se beneficia pagando pouco ou nada sobre seus lucros. Taxar pesadamente às remunerações de lucros e dividendos de empresários como os do “Floripa Sustentável” pode nos ajudar a dar uma resposta mais eficaz para a pandemia”

Além é claro, não poderíamos esquecer, de auditar e suspender o pagamento da dívida pública que suga os recursos que poderiam dispor aos trabalhadores brasileiros àquilo que lhe é de direito.

Nós trabalhadores e estudantes não queremos a caridade dos empresários! Queremos uma resposta séria à pandemia!

Por último, lembramos ao “Floripa Sustentável” que a Universidade e a escola não são fábricas de parafusos! Nós não temos linha de montagem, e não trabalhamos para entregar produtos. A educação exige mais! Nós vivemos uma pandemia que está matando as pessoas, e frente a isso não se trata de se “adaptar” a um novo normal. Não há normalidade com 30.000 mortos. Mas, há, sim muito trabalho para controlarmos o contágio. Não atrapalhem esse trabalho com a sua pequenez e limitação de conhecimento sobre a veracidade dos fatos!

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