08/06/2020

APROVAR O REGIMENTO DO CSE JÁ!

CARTA ABERTA
Manifestação dos trabalhadores do CSE no Conselho Universitário de 08 de junho de 2020

A pandemia provocada pelo novo coronavírus colocou os trabalhadores técnico-administrativos em educação (TAEs) sob o crivo de mais um desafio: seguir realizando seu trabalho em casa, visto que a universidade apoiou de imediato o isolamento social. Isso implicou em uma nova dinâmica, recheada de dificuldades, pois não é a mesma coisa estar no local do trabalho cumprindo a jornada com todo o aparato técnico e estrutural da instituição, e estar em casa, sem as condições materiais de realizar as tarefas e ainda com toda a vida particular para tocar. Mães e pais estão com os filhos em casa, e precisam dividir o computador com eles, porque eles também têm de realizar tarefas. Maridos, esposas, filhos, netos, todos estão tendo de conviver com familiares que exigem atenção. E praticamente a maioria não têm em casa um bom equipamento, uma boa internet, ou um técnico à disposição para os problemas estruturais. A pressão psicológica tem sido enorme e o excesso de trabalho gigantesco. Isso sem contar a pressão que é saber que poderá ter seu salário diminuído por cortes de benefícios ou até mesmo por projetos oportunistas do governo federal. Ficar em casa tem sido um massacre. Há exceções, mas que só confirmam a regra.

Não bastasse todo o drama trazido pela pandemia os trabalhadores técnicos estão enfrentando entraves políticos por parte de alguns docentes, inclusive para impedir a participação nas instâncias de decisão. Isso porque tramita há muito tempo no CUn a proposta de um regimento para o Centro Socioeconômico, que foi construído de maneira democrática, com todas as vozes sendo ouvidas em fóruns específicos de debates, tais como os de Graduação e Pós Graduação, Pesquisa e Extensão, Cultura e Artes e Administrativo, além de reuniões específicas por setores.

No caso do CSE, por causa de interesses políticos contra o diretor Irineu Manoel de Souza, o regimento tem servido de arma de guerra, inclusive agora dentro do CUn. Nessa instância, acreditava-se que a tramitação seria tranquila, sem os humores pessoais. Mas, não foi assim, apesar de já ter sido aprovado pelo Conselho da Unidade do CSE, com apenas cinco votos contra, e encaminhado no ano passado (2019) ao CUn, o processo demorou a entrar em pauta, depois foi retirado de pauta, demorou novamente a voltar para a pauta e quando iria ser apreciado um integrante da reitoria pediu vistas.

Nesse regimento do CSE estão pautadas as Câmaras Consultivas de Graduação, Pós- Graduação, Pesquisa e Extensão e de Administração que seriam fundamentais nesse momento de pandemia, para discutir em profundidade – e democraticamente – os novos modos de trabalho que a universidade está vivenciando, bem como apontar caminhos eficazes para o bom atendimento.

Outro ponto desse regimento é justamente a representação política dos técnico-administrativos. Até Irineu assumir, a representação dos TAEs no Conselho era de uma única pessoa. Depois, com a prática democrática de Irineu, que acolheu a reivindicação dos trabalhadores para aumentar a representação, o debate pegou fogo. Muitos professores não querem saber de TAE dando palpite nas reuniões do Conselho e, para eles, um representante está de bom tamanho. A representação dos TAEs, já aprovada no regimento pelo Conselho da Unidade do CSE, passa de um para um sexto do número de conselheiros docentes. Foi entendido que isso dará um pouquinho mais de espaço para o debate e, inclusive, atende as limitações dos famigerados 70/30.

Essa proposta foi amplamente discutida e aprovada no Centro, mas alguns poucos docentes contrários a esse aumento na representação não aceitam a derrota e agora atuam nas sombras, dentro do CUn. Isso denota a histórica política de apagamento do papel dos trabalhadores TAEs, que se expressa também na preconceituosa proposta de 70/30. Para uma boa parte dos trabalhadores docentes, os TAEs não existem politicamente.

Mas, a realidade é outra. Os TAEs existem e atuam em consequência ajudando a construir o processo de criação do conhecimento. Não são só trabalhadores manuais, são também trabalhadores intelectuais porque cada uma de suas funções exige a práxis (pensar sobre o fazer e fazer pensando).

Agora, se deparam com o jogo político rasteiro no Conselho Universitário, do qual inclusive participa o senhor Reitor, na medida em que não assume posição diante do regimento. Até quando teremos um “jogo político” quando deveríamos ter “bem estar da instituição” ? Até quando viveremos num país em que a vontade de cinco votantes contrários efetivamente prevalece diante do consenso maior dos membros igualmente eleitos no CSE?

Nesse sentido, os trabalhadores do CSE vem a publico exigir que o Conselho Universitário dê imediatamente uma resposta positiva para o Regimento do Centro, que foi escrito à muitas mãos, seguindo a tradicional prática democrática do diretor Irineu Manuel de Souza. Basta da pequena política e da mediocridade docente.

A universidade não está parada, o Centro está a todo vapor, os trabalhadores seguem cumprindo suas funções e exigem a participação nas instâncias de decisão do CSE. Ao CUn cabe aprovar imediatamente o regimento e não permitir que interesses mesquinhos e politiqueiros venham manchar o andamento democrático que existe dentro do CSE. Essa postura da reitoria e do CUn em retardar a decisão sobre o regimento faz com que, agora, nesse momento crucial, da pandemia, os trabalhadores não estejam sendo representados no Conselho de Unidade e isso é inadmissível.

Mais que isolamento social, teremos ainda que viver o isolamento político? Onde exatamente querem chegar com o patrolamento da opinião da maioria? E quem são essas pessoas? Quais os interesses milionários de bolsas de pesquisa conduzem essas ações?

Não fosse a prática histórica do diretor Irineu, que se dispõe a reunir sistematicamente os TAEs para ouvir sugestões, os trabalhadores não teriam espaço para discutir o trabalho nessa hora de transformações.

Aprovação do Regimento do CSE democraticamente aprovado na Unidade Já! Essa é nossa voz.

TAEs do CSE

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